Farnésio Dutra e Silva (Dick Farney), pianista de jazz e cantor. Um precursor da “bossa nova”. Nos anos 1940, no Brasil, a juventude dos grandes centros urbanos, estava envolvida pelo som fascinante das “big bands”e pelas vozes românticas dos cantores Perry Como, Bing Crosby, Dick Haymes e Frank Sinatra. O jovem Farnésio, oriundo de família abastada e nascido a 14 de novembro de 1921 no Rio de Janeiro, desde cedo, teve ensinamentos de música clássica, ouvindo e interpretando Bach, Beethoven e Mozart, até o dia em que seus ouvidos captaram os sons da então música de vanguarda da America do Norte, muito bem alicerçada nas raízes do jazz. No contato com esse som, resolveu estudar jazz pianístico, escondido da família, que o queria concertista clássico. Para custear os estudos, tocava piano no Copacabana Palace Hotel, sem o conhecimento dos pais, a partir dos 15 anos de idade, em 1936. Aos poucos, o jovem Farnésio se convenceu da forte inclinação para a música popular norte-americana, entregando-se a ela de forma total e adotando o nome artístico de Dick Farney.
Uma carreira gloriosa no Brasil e também na América do Norte. Em nossa terra gravou os mais belos temas românticos do cancioneiro popular como o tema “Copacabana”, um campeão de vendagem de discos. Dick Farney é considerado um precursor da “bossa nossa” pela maneira suave e sincopada de interpretar canções românticas. Uma linda voz, sempre uma interpretação convincente. Ouçam e constatem a classe desse excepcional cantor que ficou conhecido e respeitado com o nome artístico de Dick Farney. Ele faleceu em São Paulo no dia 04 de agosto de 1987, aos 65 anos, deixando um alentado acervo discográfico como cantor e pianista. Nos anos 1960, chegou a liderar uma big band nos moldes das norte-americanas, animando baile e em apresentações públicas.