Músico de sólida formação, Tommy Dorsey estudou sob orientação de seu pai;  professor de música, a exemplo do irmão mais velho Jimmy. Ambos se tornaram exímios em praticamente todos os instrumentos de sopro. Jimmy optou pela clarineta e sax-alto, enquanto Tommy se tornou um dos mais perfeitos trombonistas até hoje surgidos.

Em 1923 os irmãos, após participarem das orquestras de Jean Goldkette, Paul Whiteman, Scranton Sirens, Ray Miller, San Lanin, Vincent Lopez e Casa Loma, decidem formar um conjunto musical para apresentações em shows, programas de rádio e gravações em estúdio.

Na primavera de 1934, já muito conhecidos na área de Nova Iorque, constituem a Dorsey Brother’s Orchestra que, devido a sérias divergências e brigas homéricas entre eles, durou apenas quinze meses. Separam-se em junho de 1935 com Jimmy herdando a banda intacta enquanto Tommy forma seu próprio grupo musical em setembro ao contratar músicos da banda de Joe Haymes de Detroit. No início das atividades assina contrato com o selo RCA-Victor que vigorou até 1950, tornando-se um dos maiores vendedores de discos da gravadora, com um repertório ainda influenciado pelo estilo “dixieland” que logo abandonaria, partindo para uma melhoria na qualidade de sua música necessitando ainda de um certo “polimento”. Com arranjos cada vez melhores e constante renovação da equipe vai galgando os degraus do sucesso.


Tommy, homem determinado, perfeccionista e intransigente, não admitia contestações à sua maneira de pensar e agir, não cedendo um milímetro sequer em suas convicções até colocar sua orquestra entre as melhores do ramo. Para isso, além de sua indiscutível competência, contratava, invariavelmente, músicos habilidosos e criativos, de preferência solistas de jazz amparados por arranjadores experientes, completando com vocalistas selecionados entre os que mais se destacavam no ambiente artístico do país.


O trombone líder de Tommy Dorsey emitia um som suave e romântico, principalmente nas baladas. Seu timbre inconfundível era fruto de técnica apurada que se aliava ao extraordinário contrôle de respiração. Um especialista no instrumento, com o estilo influuenciado pelos grandes trombonistas Miff Mole, Jimmy Harrison e,
principalmente, Jack Teagarden, seu ídolo.


Ao longo dos 18 anos de existência da orquestra, podemos citar músicos de inquestionável valor da era do swing que, por determinados períodos, fizeram parte dessa big band simplesmente fantástica. Os trompetistas Max Kaminsky, Bunny Berigan, Ziggy Elman e Charlie Shavers, os saxofonistas Skeets Herfurt, Bud Freeman, Babe Russin, Johnny Mince e Buddy DeFranco (estes dois últimos também se apresentavam na clarineta), os pianistas Joe Bushkin, Milt Raskin e “Dodo” Marmarosa, o Guitarrista Carmen Mastren (seu verdadeiro nome – Cármine Mastandrea), o contra-baixista Sid Weiss e os bateristas Maurice “Moe” Purtil, Dave Tough, Buddy Rich e Louis Bellson. Como arranjadores os renomados Dean Kincaide, Paul Weston, Axel Stordahl, Bill Finegan e o insuperável Sy Oliver, oriundo da big band de Jimmie Lunceford e contratado a “pêso de ouro” por Tommy em 1940, realizando antológicos arranjos de jazz com um “swing” onde até as cadeiras dos salões de baile saiam dançando quando a orquestra começava a tocar.


Quanto aos vocalistas, Tommy sempre fez questão de elaborar arranjos personalizados que os destacavam como nenhuma outra orquestra. Além dos conjuntos vocais The Pied Pipers e The Sentimentalists, cantaram na orquestra, entre outras, as lady-crooners Edythe Wright, Connie Haines, Jo Sttaford e Lynn Roberts. 
Entre os crooners destacamos Jack Leonard, o jovem Frank Sinatra, Dick Haymes, Stuart Foster e Bill Raymond.

No início de 1947, com o declínio da “era das big bands” e com pouquíssimos lugares para trabalhar, Tommy dissolve, momentâneamente, a orquestra. Logo em seguida os irmãos Dorsey são convidados a participar da película sobre suas vidas “Os Fabulosos Dorsey”. Tommy aparece também ao lado do ator Danny Kaye na película “Nasce Uma Canção”. Passados dois anos e eis Tommy Dorsey de volta ao “show business” com uma nova formação da banda (1949).

Rescinde o contrato discográfico que o prendia à gravadora RCA-Victor, assinando com o sêlo MCA (antigo Decca); reiniciando com uma corporação repleta de músicos e cantores de alta qualidade, permanecendo em atividade até a primavera de 1953 quando, surpreendendo a todos, os manos se reconciliam e formam a segunda versão da Dorsey Brother’s Orchestra, com bom êxito durante as três temporadas que se seguiram.

Agora Tommy a liderava enquanto Jimmy (co-lider) era o destaque na clarineta e sax-alto, contratados para apresentações de grande audiência no “Café Rouge” do Hotel Statler Nova Iorque, localizado na 7ª Avenida com Rua 34, Também se apresentavam em cidades de todo o país na chamadas “uma noites” e posteriormente, no programa de televisão “Stage Show” tendo como mestre de cerimônias o ator Jack Gleason. Essas apresentações da Orquestra dos Irmãos Dorsey se constituíram no grande acontecimento musical da década de 50.

Lamentavelmente, essa segunda versão da banda teve também uma curta existência pois, a 26 de novembro de 1956, Tommy falece, repentinamente, aos 51 anos de idade. Jimmy, já doente nessa época, assume o comando por 6 meses, vindo a falecer vitimado por um cancer na garganta, a 12 de dezembro de 1957.

Thomas Francis Dorsey Junior, nasceu a 19 de novembro de 1905 na cidade de Shenandoah – Estado da Pennsylvania. Dedicou toda sua vida à música popular norte-americana, transformando-se em um de seus maiores expoentes. Ele era conhecido e reconhecido como o “Cavalheiro Sentimental do Swing”, denominação influenciada pela célebre música tema da orquestra que interpretava ao trombone ” I’m Getting Sentimental Over You”.

Foto tirada em 1940 no “set”de filmagens, inclui The Pied Pipers, Connie Haines, Frank Sinatra, Buddy Rich na bateria, Ziggy Elman na secção de trompetes, Dave Jacobs na secção de trombones, e Joe Bushkin ao piano.