JAZZ, BIG  BANDS & CIA

Ronaldo Benvenga

Al Jolson-(1886-1950), nasceu na pequena Srednick-Lituânia que, na época, fazia parte da Rússia Czarista. O pai, rabino da sinagoga local, emigrou com a família para os Estados Unidos da América do Norte em 1890, estabelecendo-se na capital-Washington D.C. Lá Al creceu e já aos 8 anos, juntamente com o irmão Harry, perambulava pelas ruas da cidade cantando em troca de alguns níqueis. De temperamento irrequieto e aventureiro, aos 14 anos foge de casa, incorporando-se a uma “troupe” de músicos saltimbancos.  O crítico musical J.L. Ferrete escreveu no prefácio do álbum duplo lançado pela gravadora Decca Records “The Best of Al Jolson: “Na adolescência Jolson se fascinou com  as artes sênica, acabando por ingressar na Broadway em Nova York”. Começou fazendo pequenas “pontas” em revistas musicais, as chamadas “extravagâncias teatrais”(gênero muito em voga no início do século 20). Nesses espetáculos ele apresentava-se com o rosto pintado, imitando os negros sulistas nos trejeitos e no sotaque. Essa especialidade aprendera na infância, com um amigo negro.

Em 1909 passou a integrar um conunto trovadoresco onde se destacou cantando, dançando e representando,sempre caracterizado como negro. Para dar maior dramaticidade à sua interpretação, terminava o espetáculo de joelhos e com os braços abertos. A platéia delirava!

A partir daí, foi se impondo cada vez mais, graças ao inesgotável talento, até ser contratado pelos irmãos Shubert, famosos empresários de espetáculos teatrais, para inaugurar o recém construido  Winter Garden, com a “extravagância” intitulada “La Belle Paree”,com músicas do compositor Jerome Kern. Nessa época ganhava 100 dólares semanais. Com o novo contrato passou a 250, além da promessa de papeis cada vez mais destacados. A única exigência dos empresários era a de que se caracterizasse como negro e imitasse o sotaque sulista, criando-se para ele o papel do negro aristocrata Erastus Sparkle. Nesse personagem Jolson tomou conta do espetáculo,transformando-se na principal atração. Em 1913, assinou contrato de exclusividade com os Shubert pelo espaço de 7 anos. Dez mil dólares de luvas e mais 2.500 semanais, uma soma astronômica. Agora é a grande figura das revistas musicais, uma verdadeira consagração para um jovem de pouco mais de 25 anos, cujo prestígio era tão grande quanto sua conta bancária.

No disco a carreira não foi menos consagradora. Suas gravações foram todas realizadas nos estúdios da Decca Records (hoje MCA). Jolson possuía uma voz característica  e diferente. Suas interpretações eram dramáticas e pungentes. Uma voz entre soluços, diziam os críticos e admiradores. Entre as mais conhecidas estão: Swane, Sonny Boy, Margie, My Mammy, Baby Face, Anniversary Song, Easter Parade, Dinah, Liza, You Made Me Love You e April Shower, entre inúmeras outras.  Durante mais de duas décadas foi o astro indiscutível dos musicais da Broadway e bilheteria esgotada em todas as temporadas.

Com esse enorme sucesso,não poderia fugir aos convites para filmar em Hollywood. Em 1927, atinge o auge da fama ao protagonizar o primeiro filme sonoro da história do cinema; “The Jazz Singer”(no Brasil, O Cantor de Jazz), película produzida pela Warner Brothers, sob a direção de Alan Crosland. A seguir viria (em1928) “The Singing Fool”,na qual interpreta o tema “Sonny Boy”. Nesse mesmo ano casa-se com a atriz e cantora Ruby Keeler. Juntos participam de vários espetáculos na Broadway. No início dos anos 1940, Jolson tornou-se uma figura mitológica que, em 1946 tem sua vida biografada na película “The Jolson Story(no Brasil Sonhos Dourados),estrelado pelo ator Larry Parks e rodado nos estúdios da Columbia Pictures, com Jolson dublando as partes cantadas.O sucesso foi tamanho, que provocou uma sequência- “Jolson Sings Again”(no Brasil, O Trovador Inolvidável) de1949, também filmada na Columbia Pictures.

Um ano após ter sido rodada  a segunda película, Al Jolson vem a falecer, vítimado por um colapso cardíaco, em San Francisco na California, no dia 23 de outubro de 1950. Desaparecia assim, o mais legítimo representante da era do teatro musicado da América do Norte. Figura carismática desse grande “showman” que foi Al Jolson. Em cena, Asa Yoelson, seu verdadeiro nome, era um artista completo, com gesticulação original e criativa, personalidade eletrizante e, principalmente, uma voz saída das entranhas de sua sensibilidade.