Músico inquieto e sempre à procura de diferentes formas de som e harmonia. Kenton tinha grande paixão pelo jazz desde menino. Na juventude foi influenciado pelo “pai dos pianistas modernos” Earl Hines mas também admirava Louis Armostrong, Duke Ellington e Benny Carter. A partir de 1933 começa a atuar, profissionalmente, como pianista nas orquestras de Everrett Hoagland, Vido Musso e Gus Arnheim, com quem gravou seu primeiro disco.

O início de sua caminhada como chefe de orquestra se dá em 1941, quando assina contrato com o Rendez-Vous Ballom em Balboa Beach, próximo a Los Angeles na Califórnia, alcançando sucesso em apenas alguns meses. Em seqüência inicia perfórmances no Hollywood Palladium, famoso salão de baile em Los Angeles, com capacidade para seis mil pessoas.

Com a popularidade em alta recebe convites do seleto Meadowbrook BallRoom de Cedar Grove em New Jersey e Roseland Ballroom em New Jersey e Roseland Ballroom em New York City, construindo sólida reputação no cenário artístico americano. O grupo liderado por Kenton foi um dos poucos a emergirem com sucesso após o declínio da “era do swing”.

Em 1942 realiza suas primeiras gravações para o selo Decca, passando para a recém fundada etiqueta Capitol, gravando aí seu primeiro disco 78 rotações em novembro de 1943 com o tema musical da orquestra “Artistry In Rhythm” e “Eager Beaver”. Nesse ano faz aparições no programa de rádio do ator Bob Hope o “Pepsodent Show”. O primeiro grande êxito comercial viria em seguida com a canção “And Her Tears
Flowed Like Wine”, tendo a lady-crooner Anita O’Day no refrão vocal, ela que mais tarde tornar-se-ia a maior cantora branca de jazz.

Em 1945, ao reformular a orquestra, contrata o arranjador Pete Rúgolo e a excelente vocalista June Christy, batizando essa nova formação de “Artistry In Rhythm Orchestra”. Rúgolo iria desempenhar um papel importantíssimo na implementação de um novo estilo de música idealizado por Kenton – o Jazz Progressivo.
Un ano após por razões de saúde, dissolve a orquestra, no auge da aceitação popular, voltando em 1947 com a “Progressive Jazz Orchestra”, denominação que mudaria inúmeras vezes, até a derradeira – “Neophonic Orchestra”.

Quando June Christy deixou a orquestra, foi substituída pela cantora Chris Connor. Rúgolo também seguiu seu caminho organizando sua própria orquestra, sendo substituído por Gene Roland que manteve o estilo e padrão dos arranjos de seu antecessor.

Em 1947 começa a melhor fase que se estenderia até 1956, onde a marca da competência dos arranjadores se sobressai com ênfase para as secções de metais (trombones e trompete), um período inequivocamente jazzístico e de grande criatividade.

Nessa época estava nascendo o Be Bop, um movimento inovador que mudaria o jazz. Kenton, sempre atento a todas as mudanças, incorporou o que convinha a seu projeto. É preciso salientar que sua música, considerada controvertida por muitos, não dava margem a dúvidas; amada com loucura por uns e odiada definitivamente por outros. Durante a existência de seus diversos grupos, o compromisso com a música para
dançar foi temporário, atendendo somente a fatores econômicos, isto é, para pagar as contas.

Nos quinze anos seguintes (1950-1965), sua experincias com o “Jazz Progressivo” continuaram, com a corporação tendo por base fixa a cidade de Los Angeles. No início de 1950 Kenton e seu grupo apresentam-se em concertos em todo teritório, gravando alguns long-playngs onde foi inserida uma secção completa de
cordas, ao todo uma grande orquestra com 43 componentes – “A Innovation In Modern Music Band”, desfeita alguns meses após, devido a seus elevados custos.

Em 1953 excursiona pela Europa onde, a 20 de setembro, realiza histórico concerto em Dublin na Irlanda do Norte que se constitui em extrondoso sucesso, consolidando seu prestígio no velho continente. Nos anos sessenta diminui consideravelmente suas atividades, participando de exporádicos concertos e dedicando-se a “clínicas”de ensino para jovens músicos; até que, no início dos anos 70 , forma nova orquestra denominada “New Concepts In Artistry In Rhythm” com 19 componentes, apresentando-se uma noite em cada cidade, as conhecidas “uma noites”.

No ano de 1977, com sérios problemas de saúde, é hospitalizado para a correção cirúrgica de um aneurisma cerebral. Passados alguns meses, volta a liderar sua orquestra até agosto de 1978. Kenton esteve presente no cenário musical da América do Norte por quase 50 anos, criando sons exclusivos. Em suas inúmeras formações conviveu com músicos de qualidade. Eddie Safransly, Shorty Rogers, Shelly Mane, Lee Konitz, Bud Shank, Bob Cooper, Stan Getz, Bill Holman, Art Pepper, Gerry Mulligan e o brasileiro
Laurindo de Almeida, famoso guitarrista, são alguns nomes de destaque.

Stanley Newcombe Kentovsky, nasceu em Wichita no Kansas a 15 de dezembro de 1911, tendo falecido em Los Angeles na Califórnia a 25 de agosto de 1979, aos 67 anos de idade.

 

No palco do “Catalina” em 1951. Na fileira de trás: Don Bagley, “pessoa não identificada”, Buddy Childers, Johnny Howell, Shorty Rogers, Maynard Ferguson. Na fileira do meio: Ralph Biose, Shelley Manne, Dick Kenney, Harry Betts, Bob Fitzpatrick, George Roberts, Milt Bernhart. Na fileira da frente, o vocalista Jack Johnson, Bob Cooper, Art Pepper