Mário Lanza ficou conhecido mundialmente após a aparição na película da Metro de 1951 “O Grande Caruso”(The Great Caruso), interpretando o papel do imortal tenor italiano Enrico Caruso(1873-1921). Alfredo Arnold Cocozza(seu verdadeiro nome) nasceu em Philadelphia na Pennsylvania, a 21 de janeiro de 1921; filho de imigrantes italianos oriundos do sul da Itália, adotou o nome artítisco de Mário Lanza inspirado no da mãe quando solteira, Maria Lanza. Ao iniciar estudos de canto clássico com a professora Irene Williams, recebeu dela atenção especial que o levaria, mais tarde, à presença do regente da Orquestra Sinfônica de Boston, maestro Koussewitzky. Para ele, cantou a ária da ópera “I Pagliacci”de Leoncavallo “Veste La Giubba”. Essa apresentação impressionaou o maestro a ponto de participar, em 1942, da ópera ”Alegres Comadres de Windsor”, na realidade, a única atuação de Lanza em um palco operístico.

No início de 1943, interrompeu a carreira ao ser convocado para servir na Força Aérea, iniciando treinamento no Texas. Lá canta em shows para seus camaradas de farda, sendo apelidado de “Caruso das Forças Aramadas”. Terminado o conflito mundial(1939-1945), retorna às atividades artísticas, ao participar do “Bel Canto Trio”, da organização Columbia Concerts, ao lado da soprano Frances Yend e do baixo George London, cantando em certas ocasiões como solista. Numa dessas apresentações foi ouvido no auditório Hollywood Bowl pelo todo poderoso dos estúdios da Metro-Goldwyn-Mayer, Louis B. Mayer que lhe ofereceu um contrato de exclusividade de sete anos, com seis meses de trabalho por ano nos estúdios e os outros seis livres para concertos, gravações e programas de rádio.

A carreira no cinema começou em 1949 com “Aquele Beijo À Meia-Noite”(That Midnight Kiss), co-estrelado pela soprano Kathryn Grayson e presença do pianista Jose Iturbi, contendo uma mistura de temas populares como “They Didn’t Believe Me”e “Down Among The Shelltering Palms” e clássicos incluindo “Celeste Ainda”, ária da ópera “Ainda”de Giuseppe Verdi. Em seguida vem “Um Brinde A New Orleans”(The Toast Of New Orleans) de 1949, também co-estrelado por Kathryn Grayson, onde Lanza interpreta o tema “Be My Love”, composição de Nicholas Brodszky e Sammy Cahn, sucesso comercial com mais de um milhão de discos vendidos.

Em 1951, o já citado “O Grande Caruso” ao lado da atriz Ann Blyth, onde interpreta árias de óperas famosas associadas a seu ídolo, introduzindo a canção “The Loveliest Night Of The Year”. O filme rendeu aos estúdios 25 milhões de dólares, cabendo ao cantor pelos discos, a soma de 765 mil dólares. A partir daí, começa um período confuso e atribulado, onde Lanza não cuida do visual, com grande tendência para engordar. Em 1952, como conseqüência, na película “O Príncipe Estudante” o intérprete principal foi Edmund Purdon no lugar de Lanza, com este cantando em “off”.

Os problemas continuaram por alguns anos até que, em 1955, o contrato com a Metro foi rescindido. Lanza retornaria às filmagens em 1956, agora sob contrato nos estúdios da Warner Brothers com “Serenata”, ao lado da atriz Joan Fontaine, película considerada pela crítica como uma das melhores de sua carreira cinematográfica. Cansado das dietas e desiludido com a vida que levava na América, mudou-se com a mulher e os quatro filhos para a Itália(1957), fixando residência em Roma. Aí protagoniza “As Sete Colinas de Roma”(1958). Na mesma época vai à Inglaterra onde atua em concertos no London’s Royal Albert Hall e Royal Variety Show. A última aparição nas telas deu-se em “For The Fisrt Time”(Pela Primeira Vez)(1959), relativamente magro e conservando excelente voz.

No início de outubro de 1959, ao sofrer um enfarte cardíaco, é internado em uma clínica de Roma onde, uma semana depois, no dia 07, veio a falecer, aos 38 anos de idade. Mário Lanza, voz magnífica de tenor com extensão até o ré bemol e o chamado dó agudo ou dó de peito, com um timbre personalíssimo. O conhecido tenor espanhol contemporâneo José Carreras, decidiu ser cantor lírico após assistir, quando criança, ao filme “O Grande Caruso”.