A intimidade de Lester Young com o saxofone tenor começou em 1928. Anteriormente aprendera a tocar bateria,trompete,violino e saxofone alto com seu pai,músico profissional.

Os primeiros passos como músico deram-se nas bandas regionais de Eddie Barefield,Frank Hines, King Oliver, Benni Moten e The Blue Devils.Ao contrário de outros músicos iniciantes que seguiam as harmonias de Coleman  Hawkins, entusiasma-se ouvindo discos de Frank Trumbauer,instrumentista branco, ao tocar o “C.Melody Saxofone”(instrumento com sonoridade intermediária entre o alto e o tenor), influência que o marcou para sempre.

Aos 24 anos de idade(1933)estabelecido em Kansas City(cidade do meio-oeste norte-americano), começa a desfrutar de prestígio como solista, sendo convidado  a assumir um lugar no naipe de palhetas da banda negra do pianista Fletcher Henderson,substituindo  Coleman Hawkins, que partira em longa temporada na Europa. Após somente 4 meses de permanência,atua ao lado do bandleader Andy Kirk, até fevereiro de 1936,quando junta-se a Count Basie,em shows diários no Reno Club de Kansas City. Um desempenho magnífico ao  lado da seção rítmica representada por Freddie Green(guitarra), Walter Page(contrabaixo), Jo Jones(bateria) e Basie ao piano; contando ainda com o extraordinário Herchel Evans,seu parceiro ao sax-tenor,com quem travou célebres “duelos”. As primeiras gravações com Basie deram-se a partir de meados de 1936,sob orientação do produtor John Hammond que ouvira a banda em uma transmissão de rádio,impressionando-se com a qualidade musical do grupo.  No ano seguinte(1937), começa seu relacionamento profissional com a cantora Billie Holiday. Ambos gravaram dezenas de temas jazzísticos durante os 5 anos seguintes, com respaldo de “combos” liderados pelo pianista Teddy Wilson e que fazem parte da história da jazz.  Billie e Lester,perfeita simbiose entre voz e instrumento. Foi ele quem a apelidou de “Lady Day”,enquanto Billie foi a responsável pelo cognome de “The President”, abreviado para “Pres por ele ser o mais idoso do grupo e pela admiração que despertava nos companheiros,em face do virtuosismo no manuseio do instrumento. Até o final de 1940, quando se separa de Basie,deixa  gravados mais de 120 títulos,entre eles os clássicos: “Every Tub”, “Swingin’ The Blues”, “Miss Thing” e “Tick Toe”,com solos que se transformaram em fonte de inspiração para uma legião de jovens saxofonistas,influenciados pelo estilo versátil e criativo de “Pres”. Agora como “free lancer”, faz periódicas viagens pelo país,tocando com a big band do irmão Lee(baterista), com o   bandleader Al Sears e com um quinteto be-bop(o primeiro da história do jazz),ao lado  do trompetista Dizzy Gilespie e do contrabaixista Oscar Pettiford. É nessa época que,atendendo ao chamado de Basie, volta a ocupar a vaga de solista da banda,até o final de 1944. Por não atender a convocação do Exército Norte-Americano, é enviado a um campo militar no Alabama,permanecendo aí pelo espaço de 15 meses. Livre das sanções,em 1946 forma um pequeno conjunto,ao mesmo tempo em que é contratado pelo produtor musical Norman Granz para figurar no movimento musical conhecido como Jazz At The Philharmonic”(JSTP),como um dos protagonistas dos históricos concertos de jazz realiza- dos por todo o país, Europa e Japão. No início dos anos 1950,a saúde começa a dar sinais de deteorizacão pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas. Hospitalizado várias vezes para trata-mento,  nos períodos de melhora,grava e participa de concertos e festivais de jazz,até o de 15 de março de 1959,quando veio a falecer. “Pres”,uma legenda do saxofone tenor e do jazz, nos deixou antes de completar 50 anos de idade. Ele nasceu em Woodville no Mississippi,a 27 de agosto de 1909 e foi criado em New Orleans, cidade musical por excelência.

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www.quintaavenida.mus.br     Produção e apresentação : Ronaldo Benvenga

Produção e apresentação: RonaldoBenvenga