O compositor George Gershwin nasceu em uma família judaica no bairro do
Brooklin em Nova Iorque a 26 de setembro de 1898, constando em seu registro
de nascimento o nome Jacob Gerswine, certamente um erro ortográfico do
tabelião pois o sobrenome de família era Gershovitz. Seu pai Moishe, emigrara
para América do Norte vindo da Rússia em 1890.
O irmão mais velho, Ira Gershwin (1896-1983), foi registrado como Israel,
sendo que o pequeno Jacob nunca foi chamado pelo verdadeiro nome mas por
George. A partir de 1916 passa a adotar oficialmente o nome de George Gershwin,
no que foi seguido pelo restante da família. Além do primogênito Ira, ele tinha mais
dois irmãos – a irmã Frances e o caçula Arthur.
Aos 8 anos George inicia estudos de piano com os professores Hambitzer e
Hutcheson. Com 15 anos de idade (em 1913) escreve a primeira canção popular
“Since I Found You” – o talento e a criatividade começavam a aflorar. Antes de
completar 21 anos já havia produzido sua primeira comédia musical – “La, La,
Lucille” (1919).
Quando George era ainda um adolescente (16 anos), emprega-se como pianista
e propagandista de canções na Editora Remick´s em Tin Pan Alley uma região
onde se concentravam importantes editoras de música em Manhattan – N.Y.C.
Na época a vedete de “vaudeville” Nora Bayes o contrata como seu
acompanhante ao piano, uma chance extraordinária pois Nora passa a apresentar
composições de sua autoria nos espetáculos que realiza em longas excursões
pelo país. Durante uma apresentação em 1918 Nora lança o tema “The Real
American Folksong” (com letra do irmão Ira). Daí em diante, os irmãos
Gershwin iriam dividir centenas de belíssimos temas que, mais tarde, se
tornariam imortais.
Al Jolson – o trovador inolvidável – grande astro da Broadway, impressionado
com a qualidade da obra de Gershwin, grava o tema “Swanee”, um sucesso
comercial enorme, dando notoriedade nacional ao seu autor, no ano de 1919.
Um ano após, escreve os temas musicais para a comédia “George White
Scandals”. A partir daí não pára mais de produzir e escrever partituras, uma
atrás da outra, para espetáculos da Broadway como: “Sweet Little Devil” (1924),
“Lady Be Good” (1924) o grande sucesso da década que, curiosamente, não
incluía o conhecido tema “The Man I Love”, lançado posteriormente – um clássico
do cancioneiro popular norte-americano, “Tip Toes” (1925), “Oh, Kay ” (1926),
“Strike Up The Band” (1927), “Rosalie” (1928), “An American In Paris” (1928),
“Girl Crazy” (1930), “Of Thee I Sing” (1931) que ganhou o Prêmio Pulitzer e
“Pardon My English” (1933)
Em Janeiro de 1924 é convidado pelo maestro e bandleader Paul Whiteman a
escrever uma peça musical com elementos de jazz em forma sinfônica. Em três
semanas se desincumbe da tarefa, completando a partitura para piano de sua
obra prima “Rhapsody In Blue” a tempo de ser apresentada no Aeolian Hall de
Nova Iorque a 12 de fevereiro, tendo Gershwin como solista ao piano.
No ano seguinte, convidado pelo maestro Walter Damrosch, da Filarmônica de
Nova Iorque, escreve a obra sinfônica Concerto em Fá, executada com Gershwin
ao piano, a 3 de dezembro de 1925 no Carnegie Hall de Nova Iorque.
Sob muitos aspectos George Gershwin pode ser considerado um compositor
erudito – porém, jamais abandonou a música popular. Os anos que se seguem são
de grande atividade e sucesso- Gershwin, é agora, um dos maiores nomes da
Broadway e da música norte-americana.
Em fevereiro de 1937 – um fato inesperado, durante apresentação do
“Concerto Em Fá”,à frente da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, George
sofre um desmaio. Levado ao hospital, o diagnóstico – tumor cerebral. Depois de
uma cirurgia sem resultado, agoniza até a morte em 11 de julho de 1937.
Perda prematura aos 39 anos de idade, no esplendor de sua criatividade.
Apesar de tudo, Gershwin nos deixou extensa obra. São mais de
seiscentos temas musicais, espetáculos para o teatro musicado e a ópera
negra “Porgy And Bess” (1935), escrita com base no trabalho de DuBose
Heyward e que trata da vida dos negros na Carolina do Sul.
Entre as melodias mais conhecidas que compos, podemos destacar:
“Rhapsody In Blue”, “Oh, Lady, Be Good”, “Someone To Watch Over Me”,
“A Foggy Day”, “´S Wonderful”, “They Can´t Take That Away From Me”, “Love
Walked In”, “Nice Work If You Can Get It”, “Our Love Is Here To Stay”, “The Man
I Love”, “I Got Rhythm”, “Summertime” (da ópera Porgy And Bess), “Fascinating
Rhythm”, “Embraceable You”, “Liza”, “Shal We Dance”, “But Not For Me”, “Do It
Again” e “I´ve Got A Crush On You”. As grandes orquestras e os mais
representativos cantores norte-americanos do passado e do presente tinham e
têm em seus repertórios os temas compostos por Gershwin – uma obra imortal e
obrigatória.
Ficamos a imaginar se êsse gênio da música tivesse vivido mais 30 ou 40 anos,
o que poderia ter produzido. Mesmo assim, seus admiradores revenciam sua
obra, assim como, os momentos de entretenimento ouvindo suas melodias.
Obrigado, Mister Music.