Na história do trompete no jazz, Dizzy Gillespie ocupa lugar destacado e bem próximo de Louis Armstrong. Inovador de sons e harmonia através de trabalhos como trompetista, compositor, arranjador e bandleader em mais de cinquenta anos de carreira; criou novos estilos de tocar o instrumento, influenciando músicos em várias décadas. Após abandonar os estudos universitários , começa a atuar em bandas na cidade de Philadelphia na Pennsylvania.

Convidado pelo chefe de orquestra Teddy Hill, excursiona pela Europa em 1937, retornando dois anos após para se fixar em New York e se engajar à black band de Cab Calloway, com quem permaneceu pelo espaço de dois anos. Sucedem-se colaborações com as bandas de Erskine-Hawkins, Benny Carter, Charlie Barnet e Lucky Millinder. Em 1943, passa a formar na equipe do pianista Earl “Fatha ” Hines, tocando música de alta qualidade, muito próximo a que, futuramentte, ficaria conhecida como “bebop” e cujas primeiras experiências seriam feitas, com a anuência de Hines, por ele, o sax-alto Charlie Parker e o então crooner Billy Eckstine.

Em março de 1944, Dizzy junta-se à recem formada All Star Band liderada por Billy Eckstine, como trompetista, arranjador e diretor musical. Essa corporação entraria para a história do jazz como a primeira banda “bebop” de sucesso, contando, entre outros, com os saxofonnistas Charlie Parker, Dexter Gordon e Gene Ammons, o baterista Art Blackey , como contrabaixista Oscar Pettiford, no trompete Miles Davis e a cantora Sarah Vaughan.

Ao deixar Eckstine , um ano após, em seu lugar ficou o saxofonista Bud Johnson. Encorajado pela experiência adquirida com Eckstine, organiza sua própria banda, a partir de 1945. Durante dois períodos distintos de existência, Dizzy esteve sempre rodeado de excelentes músicos de jazz como James Moody sax-tenor, Cecil Payne sax-barítono, o vibrafonista recentemente falecido Milt Jackson, no contra-baixo Ray Brown e arranjos escritos por Gil Fuller, John Lewis e George Russsell, gravando inicialmente para o selo Musicraft, passando depois para a RCA-Victor e Capitol.

Em 1946, ao reformular a banda, ainda com a colaboração de Gil Fuller nos arranjos e agora ajudado por Tadd Dameron, alcança sucesso musical, porém, comercialmente foi um rotundo fracasso. Durante todo o período no qual liderou a banda, Dizzy nunca deixou de atuar com pequenos grupos (Combos) tendo como companheiros o  sax-alto Charlie Parker, o sax-tenor James Moody, Al Haig ao piano, Ray Brown ao contra-baixo e Sidney “Big Sid” Cattlett à bateria, entre muitos outros. Apesar de todas as dificuldade, sobretudo econômicas, naqueles anos quarenta, Dizzy manteve-se à frente de sua big band, viajando, em janeiro de 1948 para a Europa, colhendo êxito sem precedentes. Na volta aos EE.UU, a oferta de trabalho diminui drasticamente, tendo de dissolver a corporação em princípios de 1950. Para sobreviver como músico, faz exibições com Charlie Parker e o pianista Thelonius Monk e gravações em estúdios, fundando em 1951, seu próprio selo discográfico “Dee Gee” que, mais tarde, venderia à gravadora Savoy.

Convidado pelo Departamento de Estado, forma um big band, fazendo “tournée” pelo Oriente Médio, Grécia, Iuguslávia e América do Sul, apresentando-se inclusive aqui no Brasil. Essa mesma big band apresentar-se-ia em 1957 no festival de New Port recebendo impressionante ovação. Dizzy este no Brasil repetidas vezes nos anos 70 e 80, fazendo shows na televisão onde podia ser visto tocando seu trompete com a corneta virada para cima. Na verdade, não foi invenção sua. 

Em 1953, em uma festa comemorando o aniversário da esposa Lorraine no Snookie’s Club da Rua 45 em Nova Iorque, um dos convidados, inadvertidamente, caiu sobre o instrumento entortando-o, Dizzy, ao experimentá-lo, percebeu que emitia um som diferente. O som tinha mudado e se tornado muito suave. Foi então que resolver mandar fazer um novo trompete conservando a corneta dobrada para cima, em um ângulo de 45 graus.

O carismático trompetista e bandleader John Birks “Dizzy” Gillespie. nasceu a 21 de outubro de 1917 na cidade de Cheraw na Carolina do Sul, e faleceu aos 75 anos de idade, a 6 de janeiro de 1993. O apelido Dizzy foi dado pelo amigo e também trompetista Fats Palmer em 1935, em razão de seu temperamento abilolado; Dizzy podemos traduzir como “atordoado”. Entre seus melhores trabalhos gravados destacam-se: “I Can’t Get Started (With You).” “A Night In Tunísia”, “Anthropology” (este em parceria com Charlie “Bird” Parker), “Manteca” , Oop Bob Sh’Bam” e “Groovin’ High” , para os selos Musicraft, RCA-Victor, Capitol e Verve, entre outros.

Big Band de Dizzy Gillespie nos 

estúdios RCA-Victor – 1947