Ronaldo Benvenga

No final do ano de 1934, após desentendimentos durante apresentações na Califórnia, mem- bros da banda do baterista Ben Pollack abandonaram a corporação musical, seguindo para Nova York onde, sob o comando do saxofonista Gil Rodin, organizaram uma orquestra coope-
rativa para participações em programas de rádio e gravações em estúdio.

Apesar da comprovada capacidade como músico, Gil não se considerava a pessoa ideal para liderar o grupo. Tímido e discreto, preferia exercer as funções de músico sentado ao lado dos companheiros. Dessa maneira, os demais membros da cooperativa decidiram procurar um novo líder, capaz de se postar com desenvoltura à frente da orquestra. Para ajudar na esco- lha e, ao mesmo tempo, orientar o desempenho da banda, é contratada a Rockwell-O’Keefe
Agency. Entre vários candidatos , foi escolhido Bob Crosby, irmão caçula do cantor Bing Crosby. Bob já havia participado, como “crooner”, das bandas de Anson Weeks e dos Irmãos
Dorsey, na era pré-swing.

Após cuidadosos ensaios, Bob assumiu a liderança no verão de 1935, ao iniciar apresentações
no Roseland Ballroom, na Broadway em Nova York, regendo com personalidade e muito charme, tendo atrás de si, sólida organização, com Gil Rodin na função de diretor musical e a Rockwell-O’Keefe Agency, conduzindo a parte promocional.

Na orquestra, um ambiente de muita amizade, onde todos os membros se davam bem e uma única preocupação, tocar música da melhor qualidade. Nesse início, alguns músicos eram oriundos da cidade de Nova Orleans, o berço do jazz, como guitarrista Hilton “Nappy”Lamare, baterista Ray Bauduc e os saxofonistas Eddie Miller e Irving Fazola.

Bob Crosby começava a liderar uma big band de qualidade , com arranjos elaborados por “craques ” como Matty Matlock, Diane Kincade e pelo baixista e compositor Bob Haggart. Posteriormente foram contratados Paul Weston, Ray Conniff e Henry Mancini, onde imperava
o espírito do jazz de Nova Orleans e repertório no estilo “Dixieland”.

Entre os anos de 1935 e 1942, na plenitude do sucesso, não faltaram instrumentistas de categoria. Entre eles Yank Lawson, Billy Butterfield e Charlie Spivak(trompetistas), os pianistas
Jess Stacy, Joe Sullivan e Bob Zurke, além das lady-crooners Kay Weber, Teddy Grace , Marion Mann, Doris Day e Kay Starr.

Mesmo sem possuir conhecimentos formais de música e não tocar instrumentos, foi se impondo como bandleader, até conquistar o respeito e admiração de seus hábeis e talentosos companheiros. A orquestra produziu uma quantidade apreciável de discos gravados pela etiqueta Decca. Temas como The Big Noise From Winnetka, A Zoot Suite, What’sNew?, I’m Free, Gin Mill Blues, Dixieland Shuffle, Muskrat Ramble, Sugar Foot Stomp e South Rampart Street Parade, venderam milhões de cópias e se tornaram sucesso em todo o país.

Em1937, outro êxito com a formação do conjunto musical(combo) The Bob Cats , constituído basicamente por oito instrumentistas e um dos melhores grupos “Dixieland” da época, uma verdadeira orquestra dentro da orquestra. Aos poucos, Bob Crosby foi se transformando em
uma personalidade do rádio, com a orquestra tendo presença constante em programas transmitidos de costa-a-costa do país, entre eles, o famoso “Fitch Bandwagon”, de grande audiência.

Em 1942, devido a Segunda Guerra Mundial, a orquestra foi dissolvida quando Bob é con-vocado para integrar o Corpo de Fuzileiros Navais. Terminado o conflito(1945), retorna às atividades artísticas, aparecendo em diversas películas produzidas em Hollywood. Durante as décadas1 1950 e 60, reorganiza a banda em apresentações específicas para as quais é com-
tratado, chamando seus antigos músicos, atividade que se estendeu pelos anos 1970 e 1980.

Em 1989 Bob Crosby veio ao Brasil para temporada em São Paulo, apresentando-se no “150
Nightclub” do Hotel Maksoud Plaza, entre 23 de maio e 10 de junho , trazendo consigo os músicos James Conner(contra-baixo), David Frierson(trompetista), Richard Adams(pianista) Robert Levine(sax-tenor), Chris Thle(baterista), Edward Reed(clarinetista) e a cantora Martha Tilton, que havia sido vocalista da famosa big band do rei do swing Benny Goodman, na segunda metade dos anos 1930. A orquestra apresentou-se com 13 componentes, sendo que os demais instrumentistas, foram completados com membros da banda do “150 Nightclub”.
O bandleader George Robert (Bob)Crosby (1913-1993) dirigiu uma das orquestras de maior “swing” da era de ouro das big bands.